sexta-feira, 24 de outubro de 2008

Crise do Capital Fictício


“(...) o bom governante deve aprender com os mais velhos, seja para evitar cometer os mesmos erros, seja para ter exemplos de como se vence (...)”
Nicolau Maquiavel

A crise financeira americana, reflexo do descontrole hipotecário imobiliário, vêm afetando a economia mundial. Entre diversas injeções bilionárias de dólares no mercado, assistimos a decadência econômica dos Estados Unidos e de seus aliados. Desde 1941 não se tinham resultados tão deploráveis, mas o que surpreende é ter extrapolado os déficits da quebra da bolsa de 1929, essa crise atual já é a maior da história americana.
Os gastos sem rumo controlado com as hipotecas que ofereciam garantias de compra em infinitos produtos literalmente faliram o mercado interno americano e a porcentagem crescente de inadimplência tem colaborado absurdamente, isso fez com um efeito dominó surgisse na economia estadunidense, levando bancos importantíssimos a quebra, como o Lehman Brothers.Talvez isso seja a principal motivação para alguns bancos já estarem vendendo casas à US$ 1,00 (um dólar), exatamente esse valor, isento de cobranças de impostos e documentos que legalizam o imóvel, tudo feito para evitar gastos, uma vez que vender é mais fácil do que manter para a “pós-crise”. Outro fato não estimulante, segundo a Gazeta Mercantil em 23/10, é sobre as empresas americanas, aonde um quarto prevêem demissões e 25% já não contratam mais funcionários, isso é um sinal agravante, pois se o número de desemprego aumenta não há consumo, acabando por desmoronar o mercado interno.
No Brasil, inicialmente a crise parecia que nunca iria chegar pelo país não depender exclusivamente dos EUA ao expandir os seus parceiros de mercado no oriente médio, África, Europa e na América Latina. Ao analisarmos as prematuras declarações de Lula, Guido Mantega e companhia, os Estados Unidos parecia ser um país isolado em outro planeta. Porém o discurso mudou, no último 22/10, quando Lula perdeu o “medo” e falou em resposta aos questionamentos sobre a solidez econômica, afirmando as medidas que seriam tomadas para amenizar os efeitos da crise internacional no Brasil. Reduzir gastos, proteger as empresas do setor privado que mais geram empregos e não paralisar as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), são prioridade para o governo.
Porém os discursos otimistas de Lula, não convêm com a realidade atual, que segue com as quedas crescentes da Bolsa de Valores, a alta dos juros (170,2% apenas no cheque especial), o aumento do risco país Brasil, queda da adesão de empréstimos aos bancos de grande porte, dificuldades em financiamentos para pessoas físicas e o aumento da inflação, exemplifiquem para nosso presidente o que vivemos, nós brasileiros.
Todos, inclusive o Brasil, aguardam ansiosamente por uma resposta, porém não é possível especular término para essa tensão temerosa internacional. Espera-se uma melhora na retomada da confiança dos investidores após a divulgação da lista dos indicadores de nível de atividade dos países desenvolvidos, que trará uma certa segurança sobre qual país oferece menos riscos para o destino de capital. Outro resultado muito esperado são as medidas encontradas pela Cúpula do G20, no próximo de 15 de novembro em Washington, pelos principais líderes de países em desenvolvimento e industrializados.
Em 1929 a crise partiu da depreciação do setor agrícola e industrial, em 2008 o apontamento crucial está no mercado imobiliário, porém acredito que não se deve isolar assim um problema tão amplo. Considerando a complexidade de um mercado baseado na retenção de maior capital, agrego a “culpa” de uma forma geral a especulação, ou seja, ao capital imaginário, aquele que sem existir já está sendo gasto ou valorizado sem garantia de vir a ser real. Acredito num prolongamento da crise, até que o capitalismo venha novamente se reerguer seduzindo e recrutando com fórmulas mágicas de financiamento novos compradores, já que a máquina mundial de lucro pode entrar em recessão mas nunca em extinção.

terça-feira, 14 de outubro de 2008

“Arquitetura da Destruição”


O título “Arquitetura da Destruição”, condiz naturalmente com o contexto exposto ao longo do documentário, aonde Hitler é colocado além daquela imagem superficial de líder político terminantemente persuasivo, imperativo e anti-semita mostra-se o seu lado artístico e as influências que o levaram a criar a ideologia nazista que tinha por obstinação a construção de uma sociedade “limpa” esteticamente.
O discurso político de Hitler baseava-se numa idéia estética pessoal com excelência em perfeição, que seria alcançada com a formulação de um Novo Estado, aonde a bagagem cultural anterior ficaria póstuma ao novo conceito do que era correto a arte classicista com forte ascêndia grega. A estética vem para atuar como estratégia de mornar e deixar a consciência alemã sem remorso, as execessivas propagandas publicitárias, exposições e depoimentos políticos ao público, deixavam isso cada cada vez mais claro. Os verdadeiros ideias do governo ditatorial nazista eram o de adquirir expansão territorial, industrial e estabilidade econômica e se escondiam atrás do discurso de que o anti-semitismo exterminativo garantiria a saúde alemã.
Incentivados pela ideologia hitleriana, o nazismo, seguia-se firme e forte em seus preceitos. As vidas exterminadas, eram encaradas com normalidade e frieza. Deveriam ser mortos todos que fugissem do padrão saudável - portadores de necessidades especiais - , e os que aferiam tributo de corrompimento à raça ariana - judeus, ciganos, homossexuais, eslavos e maçons-, sempre ressaltando que com essas mortes a identidade alemã estava sendo fortificada.
Havia uma grande manipulação em torno de todos os aspectos sociais, fossem nas propagandas que ridicularizavam o feio, na eutanásia que eliminava os estereótipos “doentes”, no cinema que exaltava os alemães, nas artes que alicerçava os componentes para o novo governo, nas grandiosas e monumentais construções com semelhança notável grego-romana, (...). Tudo refletia a obsessão que Hitler possuía em realizar suas ambições, seus desejos. Uma arquitetura destrutiva e destrutível, assim foi a hitleriana, que devastou milhares de vidas inocentes para supostamente varrer a sujeira de uma nação dando-lhe harmonia e ápice belo. Traída pela sua própria “estética”, foi ridicularizada quando vencida, por ofender a moralidade humana em níveis globais e também por ser uma ameaça militar.

A importância de se ler com adequação


A contemporaneidade trouxe consigo a “era informacional”, aonde se caracteriza pela facilidade e pulverização constante e dinâmica de informação de diversas fontes, isso exigi daqueles que precisam manter-se atualizados uma ler incansável, para que não se deixe escapar nada, e possa manter-se sempre ciente de novas notícias com velocidade. A rapidez com a qual se deve ler não pode abrir espaços para inferências negativas e muito menos ruídos que comprometerão a excelência do texto, portanto interpretar um texto com clareza, é o principal fator para se ler com adequação.

Existem vários fatores que implicam no entendimento correto de um texto, o principal, é a linguagem. O leitor precisa partilhar do conhecimento do código (idioma) a ser usado pelo escritor do texto, pois ele traz sobre si, a responsabilidade de demarcar a decodificação correta, para que não ocorra nenhuma alteração daquilo que se era intencionado transmitir pelo autor, evitando problemas de comunicação.

Além da linguagem é necessário observar a relação entre contexto e texto, empregando sempre o nível de coerência e coesão, para se obter uma situcionalidade em relação à consistência e relevância das informações dispostas ao longo do texto. Seria impossível afirmar que ninguém tem ouvido os comentários de um erro encontrado dentro do contexto de algum artigo, e isso ocorre com freqüência devido a mistura de muitas informações que acabam não conferindo em seu final o que fora predisposto no início, dando um efeito ruim ao conteúdo do texto (contexto) que ficará descentralizado, por exemplo começará com morango e terminará com pêssego.

Ao iniciarmos uma leitura é possível ver como estamos suscetíveis a uma espécie de hierarquia do textual, aonde precisamos ter uma percepção aguçada e tentar compreender o que o “Eu” que é aquele que manipulou as palavras redigidas estava tentando emitir. Por isso, muitas vezes ao ler textos de outras culturas as quais não somos expostos, temos que consultar outras fontes para que consigamos nos situcionalizar dentro do ambiente descrito. A relação entre o conhecimento de mundo partilhado entre o “Eu” e o “Tu” – leitor - é crucial para que o nível de informatividade seja inteligível.

O número de leitores automáticos ou funcionais – aqueles que lêem e não compreendem o que lerão - é exorbitante e vergonhoso no Brasil. Infelizmente não está cultivado no berço da maioria o hábito de ler, que pena, por que a informação hoje é sinônimo de status. Quem consegue ler e interpretar com clareza um texto, é candidato a adquirir boas oportunidades de emprego, por exemplo, mas a principal motivação para se ler com adequação deve ser o fato de não ter estampado sobre si o fardo de ter oculta a realidade de uma situação.

Charge política – sua importância na conscientização popular


As charges devem ser analisadas como uma ferramenta necessária para a compreensão social de algum acontecimento, por carregar em si, através de uma espécie de “pacote complexivo” a imagem com a mensagem a ser transmitida, desencadeando com o humor de suas representações, o estímulo eficaz que contribuí ao entendimento das informações mais problemáticas.

Os primeiros vestígios do uso da ilustração na mídia, veio a ser no Estados Unidos no século XVIII e as mensagens transmitidas através de folhetins – normalmente -, tinham a intenção de fortalecer o nacionalismo americano para que se alcance a independência estatal.

No Brasil, o uso das ilustrações em primeiro momento, era apenas para transmitir cenas rurais, urbanas, da família real e de escravos. Com o passar dos anos, os ilustradores nacionais foram aprimorando sua técnica, conforme tinham contato com entendidos do meio no exterior. Das simples ilustrações dos pasquins da família real até a contemporaneidade das charges nos jornais de grande circulação, percebemos uma modificação dos traços das caricaturas e uma dinamicidade na forma à qual transmiti-se a mensagem.

As charges são muito utilizadas no meio jornalístico atual por ser de fácil compreensão e conseguir traduzir com exatidão a mensagem satírica, porém muito crítica, em relação a diferentes fatos graficamente.

Delimitando-nos no cunho político, observa o uso da charge desde os primórdios do século XVIII quando os Estados Unidos ainda buscava sua independência, e também nas manifestações artísticas da França que eram sacralizadas pelas suas revoluções.

No Brasil parece que desde sempre, a história das charges confunde-se com a trajetória dos primeiros atos jornalísticos, já que suas primeiras ilustrações eram para informar os escândalos da corte real. No cenário atual não é diferente diariamente nos jornais impressos de grande circulação, nos sites que informam sobre política e em alguns programas televisionados sempre estão lá alguma charge que vai instigar curiosidade no observador e o levará a descobrir os desfalques dos cofres públicos, as viagens numerosas do Sr. Presidentes Luís Inácio Lula da Silva ou a importância de não vender o seu voto.

Para que se seja possível uma compreensão geral da importância das charges como formadora de opinião popular, estarão dispostos ao longo do texto conceitos específicos sobre charge.

A charge crítica – opinativa

A construção de uma charge é totalmente opinativa, pois dentro dela estará a inferência do autor, ou seja, sua impressão sobre o que viu expressa na caricatura. A cumplicidade entre o emissor e receptor é indispensável para a compreensão global da mensagem, pois quando o autor transforma pessoas públicas reais em personagens, a expectativa é de que o leitor seja capaz de identificar quem é o caricaturado e conheça na íntegra, ou pelo menos parte dela, a história a ser satirizada na charge. Portanto, a charge adquiri valor crítico e opinativo, pelo fato do autor ter um posicionamento frente a algum fato e expô-lo em sua obra.

O público alvo das charges

O cenário atual das charges está bem diversificado em seu público, e isso é um bom sinal, pois demonstra que não existem barreiras amplas para que elas não venham a ser conhecidas.
Antes, as charges eram vistas apenas pelo público elitizado que tinham acesso aos jornais. Com a evolução das charges elas vieram a se popularizando ganhando espaço nas revistas e até nos jornais televisados em horário nobre com pequenas aparições. Agora com o advento da internet a visualização de conteúdo relacionado à charge está viabilizada, é possível conhecer em período cronológico ou visualizar em sites específicos charges que satirizam a notícia principal do dia.
Mesmo tendo agora uma ramificação ampla entre os meios de comunicação dispensada aos admiradores das charges os “produtos alvo” mantêm-se tradicionalmente apontado para os leitores de jornais e revistas.

Humor político – fácil compreensão

Falar de política é algo que exige um vocabulário extremamente culto e codificado por siglas de partidos, nomes “nunca” lembráveis de partidários e acompanhados de uma descrição interminável das atrocidades feitas pelos políticos. Não. Pelo menos, não, nas charges.
O humor visto nas charges mostra que é possível localizar-se politicamente sem estar delimitado à jargões, porém não é correto afirmar que se está isento de consultar um jornal para saber do que se trata as informações contidas nas caricaturas, com um estilo coloquial e cômico elas são capazes de ironizar a realidade de algo que tanto nos afligi: a política.
A capacidade de transpor humor, junto à fixação da mensagem com imagens, comove um fenômeno as charges, pois o seu conteúdo não deixa de ser consistente para informar. Justamente essa “leveza-crítica” que há nas charges, caracteriza o seu sucesso, pois ela não precisa dizer o que quer numa precisão de palavras, a mensagem fica anexada no que consideramos como “pacote complexivo”, que é equivalente a caricaturas mais a legenda, tornando o humor político facilmente compreendido com as sugestões, às vezes, implícitas no conteúdo global das charges.

Charge política - importância na conscientização popular

A exatidão na transmissão das mensagens através das charges é surpreendente. Não existe a necessidade de ser bacharel para compreender o que se quer transmitir. O nível conscientização de uma charge está na criticidade e criatividade do autor, se esse, dispor informações que possam mudar o rumo de um voto, mostrando que um candidato da prefeitura foi pego com dólares desviados dos cofres públicos na cueca, com certeza, isso atingiria desde o jovem ao senhor eleitor, podendo mudar o ciclo do seu voto para um candidato não corrupto. Essa é a importância, trazer à tona, revelar de maneira dinâmica com a imagem, que viabiliza o processo de retenção persuasiva e mental da mensagem explícita ou implícita nas charges, retirando o leitor de uma espécie de caverna mentirosa, trazendo-o para a realidade reformulando sua maneira de agir como ser consciente e interventor do meio social que atua.

Três momentos da charge internacional e nacional

- Século XIX: Zé Povinho
Criado pelo português Rafael Bordalo Pinheiro (1846-1905) em 1875, Zé Povinho, era o personagem das charges que satirizavam o governo português e seus deslizes políticos, sociais e econômicos. Durante sua estadia no Brasil colaborou para diversos segmentos através de suas charges a também fundou alguns jornais importantíssimos.
Entre suas obras mais famosas estão: “A Grande Porca” aonde todos mamam na política; “O ultimatum” que representa o cenário português em 1890 quando a Inglaterra pressionava a retirada dos portugueses nas extremidades da África; e fundou os jornais “Psit” e o “Besouro”.

“... não estamos filiados em nenhum partido; se o estivéssemos, não seríamos decerto conservadores nem liberais. A nossa bandeira é a VERDADE. Não recebemos inspirações de quem quer que seja e se alguém se serve do nosso nome para oferecer serviços, que só prestamos à nossa consciência e ao nosso dever, - esse alguém é um infame impostor que mente.” ( O Besouro, 1878)


- Século XX: Henfil

O brasileiro Henrique de Souza Filho (1944 – 1988), era jornalista, escritor, diretor e ator de cinema e cartunista. Sempre acentuou desde o início de sua carreira o cunho de cartunista político, foi um excelente crítico social através das charges sempre tendo uma postura firme dentro do cenário nacional.Dentro das charges posicionou-se contra a Ditadura Militar, apoiou as Diretas Já e a anistia dos presos políticos.
Suas principais obras são: “Os fradinhos” e a Graúna, o Capitão Zeferino e o Orelhão fazendo sátiras nas caricaturas sobre a realidade nacional; “A Revista do Henfil (em co-autoria com Oswaldo Mendes)” no teatro; “ Tanga - Deu no New York Times” no cinema; “ TV Homem, do programa” na TV Mulher, na Rede Globo; e os livros “Hiroshima, meu Humor” (1976) “Diário de um Cucaracha” (1983), ”Dez em Humor” (coletiva, em 1984), ”Diretas Já” (1984), “Henfil na China’ (1984), ”Fradim de Libertação’ (1984), ”Como se Faz Humor Político” (1984) e ”Cartas da Mãe” (1986).

“Se não houver frutos
Valeu a beleza das flores
Se não houver flores
Valeu a sombra das folhas
Se não houver folhas
Valeu a intenção da semente”
Henfil


- Século XXI: A era Lula


Para falar sobre as charges contemporâneas, escolhemos um artista engajado em mostrar, de forma humorística e criativa, os processos políticos brasileiros.
Márcio Malta (mais conhecido como Nico), nascido em 1993, é um chargista conhecido por fazer críticas sociais, com ênfase na política. Como principais obras, ele tem: “Henfil – O humor subversivo” e “E agora Lula? – Charges de um desastrado governo”.

“Enxergo a charge como um instrumento de informação crítica e ao mesmo tempo descontraída. Por não ter compromisso com o real, pode inventar situações e inverter papéis. Nos veículos de comunicação a charge funciona como um auxílio à notícia, uma interpretação bem humorada dos fatos cotidianos. O chargista é um jornalista do traço.”
Nico

“A Queda”


Uma versão possível dos últimos dias de vida de Adolf Hitler

“Quando as cortinas se fecharem, esteja no palco.”

Mostrando o lado vulnerável de Hitler, sua insanidade e obsessão, o diretor Oliver Hirschbiegel baseou seu filme em relatos e depoimentos, principalmente o de Traudl Junge secretaria de Hitler, para expor em película a decadência do Nazismo com o término do III Reich.
Desprovido de misericórdia e compaixão por toda a destruição que liderou, tendo como único arrependimento à não conclusão de seus planos de limpeza étnica pelo mundo, que garantiria a esperança da reconstrução através de seus padrões, Hitler, enlouquecia tanto a cada dia como avançava o seu mau de Parkinson.
Suas estratégias militares antes triunfantes, agora eram surreais, sua superioridade ideológica havia ensurdecido os seus ouvidos e cegado seus olhos, os oficiais da SS e qualquer um que ousasse inferir em seu discurso era dito traidor e candidato ao executamento, Hitler perdeu Berlim para os russos por não conhecer a capacidade de luta de suas tropas e tentar por em prática planos espetaculares da tomada de suas bases dominadas, mas o único problema era que tudo não passava de um adiamento quanto à derrota alemã, já que as munições estavam tão escassas quanto os soldados.
O mais impressionante é a dependência e fanatismo com qual a população e os oficiais compartilhavam pela imagem do Führer, eles se “ajoelhavam diante do altar de sua pátria e não resistiam ao seu gênio”. Pena que seus ideais eram de extermínio, pois um líder que alcançou o nível de dominação em massa como ele, fazendo com que mais de seis milhões fossem mortos e outras centenas esquecessem que pensavam para viver os sonhos, é raríssimo, enquanto vivo era inquestionável, sua vontade eram ordem de estado. Prova disso está em seu suicídio, que desamparou soldados e famílias adeptos do nazismo como um estilo de vida, gerando uma onda de imitação mortal, suicídios e homicídios em massa eram comuns para não consumarem uma traição ao juramento nazista da vergonha da rendição ao inimigo.
Hitler foi inteligente para reconhecer o fim de seu império, e suicidou-se antes de ver a Alemanha rendida à Rússia pelo acordo de paz. As maquetes que ganharam prédios com influência estética greco-romana em suas mãos, foram lançadas ao chão pela persistência do orgulho Alemão, em 07.05.1949, a tortura da Guerra teve seu fim.

Um Cão Andaluz



“Surrealismo: Substantivo. Puro automotismo psíquico através do qual se deseja exprimir, verbalmente ou por escrito, a verdadeira função do pensamento. Pensamento ditado na ausência de qualquer controle exercido pela razão, fora de toda a preocupação estética ou moral.”
Manifesto Surrealista (1924)

Prefaciado por essa explicação do significado do Manifesto Surrealista inicia-se o filme “Um Cão Andaluz”, dirigido por Luís Buñuel e roteiro compartilhado com Salvador Dali, que mesmo após 80 anos de sua produção, continua despertando sentimentos provocativos de inquietação ao apreciador, seja ela principiante ou “experiente” no surreal.
A ambientação do filme se dá numa atmosfera intrínseca a uma reprodução monogâmica do pensamento, aonde não se podia ousar e nem fugir de um padrão, a intenção não era a de “bestializar” as representações do pensamento, mas sim, de encontrar finalmente um escape para a reprodução verídica dele e sem nenhuma alteração de nenhuma idéia.
Com a forma inovadora de se fazer cinema Luís Buñuel enfrentou diversas contrariedades e censura, porém, isso não foi empecilho para que viesse à tona a primeira exibição do filme em 1928 na França, colaborando para a eclosão do Movimento Surrealista pelo mundo.
A falta de uma segmentação lógica é o mais explêndido, porque cada um, consegue obter uma interpretação a partir do que sentiu, e não calcular uma sistematização narrativa chegando a conclusão de que “a mocinha ficou com o herói”.
Os 17 minutos que têm a duração do curta-metragem são de perturbação, a primeira vista, até de não entendimento – o que a intenção numa obra surreal-, o que há é um verossímil de sentimentos, e como numa caixa de recortes, algumas lembranças de valores e fatos pessoais.
As portas o levam para o seu sonho (do quarto à praia), o conhecimento e suas escolhas morais ou amorais delimitam seu poder de dominação e a autoria de seu fim (livros transformados em armas), mas o intrigante é concluir que sua visão é roubada a cada influência racional sem ser a sua, ou melhor, que as mulheres têm uma percepção visual altíssima que não precisam de dois olhos (olho esquerdo sendo retirado com uma navalha).

O sucesso do filme é a subjetividade, e sua categoria puro nonsense é sua explicação.

Conexões do Século XX


“Nós que aqui estamos por vós esperamos”, “Tempos Modernos”
e a “Condição pós – moderna”



Os resultados pragmáticos de uma civilização consumida pela sua sede em construir, descobrir, expandir e adquirir, estão impostos na coletânea visual “Nós que aqui estamos por vos esperamos”, dirigido por Marcelo Masagão. Aonde através de um apanhado textual acompanhado de imagens (fotos) e quase nenhum “vídeo”, obtemos uma recapitulação do século XX, a partir de um enredo fictício com um teor verdadeiro (baseado em fatos reais).
As ligações cabíveis e explícitas entre “Tempos Modernos”, dirigido por Charles Chaplin, e “Nós que aqui estamos por vos esperamos” se dão em vários momentos dos filmes. Mas em síntese, considero primordial: a não utilização da fala – exceto quando se quer mencionar a voz como fator de garantia para o cumprimento de uma ordenança – as imagens são o foco para que se tenha uma reflexão social crítica; e a histeria dos “tiques nervosos” de Chaplin pelos movimentos repetitivos e velozes confrontados com “os traumas de um soldado” após ter como seqüela o estado de “choque”; ambos apontam o preço do avanço tecnológico e do abuso de poder obtido com ele.
Citando os nomes que realmente fizeram a diferença e história temos a lembrança do “Extremismo” das Grandes Guerras e as Revoluções, o progresso cultural do intelectualismo, a produção massificada, a supervalorização da materialidade, a globalização, o ápice e utilização pulverizada dos meios comunicacionais (tornando até a informação produto e instrumento de profissão valoroso), déficits econômicos, holocaustos em massa, o hedonismo, o dilema político e as desigualdades sociais exacerbadas traçam as linhas cruciais predispostas nesse mapa do século XX.
A violação dos direitos humanos está emplacada, seja nos mares de sangue, da fome, das seqüelas, da solidão, da ignorância e alusão intelectual, na manipulação de vidas pelo ideal de um só ou por ainda restar fé de uma mudança. Observa-se que a preocupação principal de cada diretor, é alertar à seus expectadores sobre a não mecanização do “eu”, que acaba se habituando a tudo que lhe for imposto, deve-se ter sensibilidade para vivenciar a realidade do verossímil tecnológico com seriedade e superioridade para que não se venha ter o fim pela alienação ambicionista
.

Rota 66 - A história da polícia que mata



Realsando os deslizes policiais e as diferenças sociais, Caco Barcellos, conta em seu livro "Rota 66 - A história da polícia que mata" expriências compartilhadas com um cenário militar verossivelmente abusado em suas táticas de proteção a segurança pública (se isso não for irreal).


Como todo bom jornalista investigativo, a ousadia e um certo ritmo de suspense a cada página não deixam de estar presentes, inclusive quanto aos momentos em que fora reprimido por expor a sujeira por entre os panos.


"Matei! Agora quem é esse fulano?", essa é a frequente pergunta e mais coerente quanto as ações da rota, que mata sem saber o porque, apenas por um desumano e rídiculo prazer em destruir e sanar suas frustações. O empenho em demonstrar o sofrimento das famílias também é acentuado e intersocial entre elite e periferia, aonde os mauricinhos antes apenas"financiadores do tráfico" e causadores de brigas infantis são mortos confudidos com ladrões de alto escalão.


A necessidade amadurecer diante de um mundo injusto e muitas vezes desonesto é o conflito perceptivel e mais percebido nessa obra.


A seguir leia um trecho do livro:


"Pensou em subir na vida


Notou que os degraus eram os seus semelhantes


Que a escada era feita de homens curvados


De crianças maltrapilhas


De velhos com fome


Pediu perdão


Se afastou de cabeça baixa"


Caco Barcellos


Rota 66, página72


Reflexo Contemporâneo

Será como olhar no espelho enquanto lava as mãos. Entre poemas, filmografias, notícias e fotos, ficará mais fácil compreender o que nos tornamos a cada dia.
O reflexo é o nosso. O contemporâneo é o agora. O tempo são nossas utopias contabilizadas em oscilações comportamentais gerais. O que vemos e ouvimos, seja a buzina ou grito do vizinho, são reproduções, ainda que superficiais de um todo social. Essa é a minha visão de Reflexo Contemporâneo, o limite comum do "deixamos" fazer.
Críticas serão aceitas, sejam favoráveis ou corretivas, estarei dispostas a lê-las e discuti-las.
O Reflexo é o nosso, mas o espaço é todo seu.