terça-feira, 14 de outubro de 2008

Conexões do Século XX


“Nós que aqui estamos por vós esperamos”, “Tempos Modernos”
e a “Condição pós – moderna”



Os resultados pragmáticos de uma civilização consumida pela sua sede em construir, descobrir, expandir e adquirir, estão impostos na coletânea visual “Nós que aqui estamos por vos esperamos”, dirigido por Marcelo Masagão. Aonde através de um apanhado textual acompanhado de imagens (fotos) e quase nenhum “vídeo”, obtemos uma recapitulação do século XX, a partir de um enredo fictício com um teor verdadeiro (baseado em fatos reais).
As ligações cabíveis e explícitas entre “Tempos Modernos”, dirigido por Charles Chaplin, e “Nós que aqui estamos por vos esperamos” se dão em vários momentos dos filmes. Mas em síntese, considero primordial: a não utilização da fala – exceto quando se quer mencionar a voz como fator de garantia para o cumprimento de uma ordenança – as imagens são o foco para que se tenha uma reflexão social crítica; e a histeria dos “tiques nervosos” de Chaplin pelos movimentos repetitivos e velozes confrontados com “os traumas de um soldado” após ter como seqüela o estado de “choque”; ambos apontam o preço do avanço tecnológico e do abuso de poder obtido com ele.
Citando os nomes que realmente fizeram a diferença e história temos a lembrança do “Extremismo” das Grandes Guerras e as Revoluções, o progresso cultural do intelectualismo, a produção massificada, a supervalorização da materialidade, a globalização, o ápice e utilização pulverizada dos meios comunicacionais (tornando até a informação produto e instrumento de profissão valoroso), déficits econômicos, holocaustos em massa, o hedonismo, o dilema político e as desigualdades sociais exacerbadas traçam as linhas cruciais predispostas nesse mapa do século XX.
A violação dos direitos humanos está emplacada, seja nos mares de sangue, da fome, das seqüelas, da solidão, da ignorância e alusão intelectual, na manipulação de vidas pelo ideal de um só ou por ainda restar fé de uma mudança. Observa-se que a preocupação principal de cada diretor, é alertar à seus expectadores sobre a não mecanização do “eu”, que acaba se habituando a tudo que lhe for imposto, deve-se ter sensibilidade para vivenciar a realidade do verossímil tecnológico com seriedade e superioridade para que não se venha ter o fim pela alienação ambicionista
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