
“(...) o bom governante deve aprender com os mais velhos, seja para evitar cometer os mesmos erros, seja para ter exemplos de como se vence (...)”
Nicolau Maquiavel
A crise financeira americana, reflexo do descontrole hipotecário imobiliário, vêm afetando a economia mundial. Entre diversas injeções bilionárias de dólares no mercado, assistimos a decadência econômica dos Estados Unidos e de seus aliados. Desde 1941 não se tinham resultados tão deploráveis, mas o que surpreende é ter extrapolado os déficits da quebra da bolsa de 1929, essa crise atual já é a maior da história americana.
Os gastos sem rumo controlado com as hipotecas que ofereciam garantias de compra em infinitos produtos literalmente faliram o mercado interno americano e a porcentagem crescente de inadimplência tem colaborado absurdamente, isso fez com um efeito dominó surgisse na economia estadunidense, levando bancos importantíssimos a quebra, como o Lehman Brothers.Talvez isso seja a principal motivação para alguns bancos já estarem vendendo casas à US$ 1,00 (um dólar), exatamente esse valor, isento de cobranças de impostos e documentos que legalizam o imóvel, tudo feito para evitar gastos, uma vez que vender é mais fácil do que manter para a “pós-crise”. Outro fato não estimulante, segundo a Gazeta Mercantil em 23/10, é sobre as empresas americanas, aonde um quarto prevêem demissões e 25% já não contratam mais funcionários, isso é um sinal agravante, pois se o número de desemprego aumenta não há consumo, acabando por desmoronar o mercado interno.
No Brasil, inicialmente a crise parecia que nunca iria chegar pelo país não depender exclusivamente dos EUA ao expandir os seus parceiros de mercado no oriente médio, África, Europa e na América Latina. Ao analisarmos as prematuras declarações de Lula, Guido Mantega e companhia, os Estados Unidos parecia ser um país isolado em outro planeta. Porém o discurso mudou, no último 22/10, quando Lula perdeu o “medo” e falou em resposta aos questionamentos sobre a solidez econômica, afirmando as medidas que seriam tomadas para amenizar os efeitos da crise internacional no Brasil. Reduzir gastos, proteger as empresas do setor privado que mais geram empregos e não paralisar as obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), são prioridade para o governo.
Porém os discursos otimistas de Lula, não convêm com a realidade atual, que segue com as quedas crescentes da Bolsa de Valores, a alta dos juros (170,2% apenas no cheque especial), o aumento do risco país Brasil, queda da adesão de empréstimos aos bancos de grande porte, dificuldades em financiamentos para pessoas físicas e o aumento da inflação, exemplifiquem para nosso presidente o que vivemos, nós brasileiros.
Todos, inclusive o Brasil, aguardam ansiosamente por uma resposta, porém não é possível especular término para essa tensão temerosa internacional. Espera-se uma melhora na retomada da confiança dos investidores após a divulgação da lista dos indicadores de nível de atividade dos países desenvolvidos, que trará uma certa segurança sobre qual país oferece menos riscos para o destino de capital. Outro resultado muito esperado são as medidas encontradas pela Cúpula do G20, no próximo de 15 de novembro em Washington, pelos principais líderes de países em desenvolvimento e industrializados.
Em 1929 a crise partiu da depreciação do setor agrícola e industrial, em 2008 o apontamento crucial está no mercado imobiliário, porém acredito que não se deve isolar assim um problema tão amplo. Considerando a complexidade de um mercado baseado na retenção de maior capital, agrego a “culpa” de uma forma geral a especulação, ou seja, ao capital imaginário, aquele que sem existir já está sendo gasto ou valorizado sem garantia de vir a ser real. Acredito num prolongamento da crise, até que o capitalismo venha novamente se reerguer seduzindo e recrutando com fórmulas mágicas de financiamento novos compradores, já que a máquina mundial de lucro pode entrar em recessão mas nunca em extinção.
3 comentários:
fOih vc ki fez mila?..
uauhhh!!...
\o/
Boa noite. Descobri o seu blog através do seu texto sobre a charge política. Você me dá autorização para publicar?
* nasci em 1982.
Abraço,
Nico - cartunista
p.s
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nico@mundoemrabisco.com
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