terça-feira, 14 de outubro de 2008

Um Cão Andaluz



“Surrealismo: Substantivo. Puro automotismo psíquico através do qual se deseja exprimir, verbalmente ou por escrito, a verdadeira função do pensamento. Pensamento ditado na ausência de qualquer controle exercido pela razão, fora de toda a preocupação estética ou moral.”
Manifesto Surrealista (1924)

Prefaciado por essa explicação do significado do Manifesto Surrealista inicia-se o filme “Um Cão Andaluz”, dirigido por Luís Buñuel e roteiro compartilhado com Salvador Dali, que mesmo após 80 anos de sua produção, continua despertando sentimentos provocativos de inquietação ao apreciador, seja ela principiante ou “experiente” no surreal.
A ambientação do filme se dá numa atmosfera intrínseca a uma reprodução monogâmica do pensamento, aonde não se podia ousar e nem fugir de um padrão, a intenção não era a de “bestializar” as representações do pensamento, mas sim, de encontrar finalmente um escape para a reprodução verídica dele e sem nenhuma alteração de nenhuma idéia.
Com a forma inovadora de se fazer cinema Luís Buñuel enfrentou diversas contrariedades e censura, porém, isso não foi empecilho para que viesse à tona a primeira exibição do filme em 1928 na França, colaborando para a eclosão do Movimento Surrealista pelo mundo.
A falta de uma segmentação lógica é o mais explêndido, porque cada um, consegue obter uma interpretação a partir do que sentiu, e não calcular uma sistematização narrativa chegando a conclusão de que “a mocinha ficou com o herói”.
Os 17 minutos que têm a duração do curta-metragem são de perturbação, a primeira vista, até de não entendimento – o que a intenção numa obra surreal-, o que há é um verossímil de sentimentos, e como numa caixa de recortes, algumas lembranças de valores e fatos pessoais.
As portas o levam para o seu sonho (do quarto à praia), o conhecimento e suas escolhas morais ou amorais delimitam seu poder de dominação e a autoria de seu fim (livros transformados em armas), mas o intrigante é concluir que sua visão é roubada a cada influência racional sem ser a sua, ou melhor, que as mulheres têm uma percepção visual altíssima que não precisam de dois olhos (olho esquerdo sendo retirado com uma navalha).

O sucesso do filme é a subjetividade, e sua categoria puro nonsense é sua explicação.

Um comentário:

Bruna Gomes disse...

Sucesso do filme??! oO
heuheuhe

Bjs, Cá.. =)